Alguns livros pedem atenção.
A hora da estrela pede escuta.
Clarice Lispector escreve um texto que não busca conforto. Ele provoca, desloca e incomoda. A história de Macabéa, uma personagem quase invisível, é contada por um narrador que também se expõe, duvida e se questiona. Esse jogo entre quem conta e quem é contado sustenta a força do livro.
“Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever.”
Não é uma narrativa sobre grandes fatos. É sobre o que costuma ser ignorado. Clarice fala de pobreza, solidão e existência sem apelos fáceis. A escrita é direta, às vezes dura, sempre consciente.
“Não se pode ter tudo. Qual é a essência do humano?”
O impacto do livro está no modo como obriga o leitor a olhar. Olhar para quem quase nunca recebe atenção. Olhar para a fragilidade da vida comum. Olhar para o desconforto de perceber o quanto evitamos ver o outro e a nós mesmos.
Clarice não explica. Ela mostra.
Não suaviza. Ela expõe.
A hora da estrela é um livro curto e denso. Permanece depois da última página. Não oferece respostas, mas insiste nas perguntas. E exige que o leitor aceite ficar com elas.
Um livro para quem lê com atenção.
Para quem aceita o incômodo.
Para quem entende que a literatura nem sempre esclarece. Às vezes, ela revela o que preferimos evitar.

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