A ilha desconhecida, de José Saramago
Alguns livros pedem outro ritmo. O conto da ilha desconhecida, de José Saramago, é um deles. É curto, mas levanta uma pergunta forte: o que acontece quando alguém decide querer algo que ainda não existe para os outros?
A história acompanha um homem que procura o rei para pedir um barco. Ele quer encontrar uma ilha que não aparece nos mapas. Não por insistência, mas porque entende que o que já é conhecido não responde tudo. A narrativa é simples na forma, mas vai além do que parece.
“É preciso sair da ilha para ver a ilha.”
“Quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou eu quando nela estiver.”
Essas frases sustentam o conto. A ilha não é um lugar físico. É um movimento. Não se trata de chegar, mas de sair. Ficar pode ser mais fácil, mas não muda nada. É o ato de ir, mesmo sem certeza, que transforma.
Com humor leve e uma escrita clara, Saramago fala sobre o medo de partir e a vontade de seguir. A mulher da limpeza, personagem discreta, mostra que ninguém faz esse caminho totalmente sozinho, mesmo quando a decisão é pessoal.
A ilha desconhecida não entrega respostas prontas. Ela provoca deslocamento. Lembra que talvez não falte caminho, mas coragem. E que só nos entendemos melhor quando aceitamos sair de onde estamos.
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